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terça-feira, 13 de novembro de 2012

A estória do Papagaio Marrom

Era uma vez três filhos que ficaram multimilionários e queriam agradar sua octogenária mãezinha que faria aniversário no mês seguinte.
Após uma reunião de família para organizar uma festa, cada um teve uma grande ideia, mas não quiseram compartilhar um com o outro, pois cada um queria dar-lhe o melhor presente, valorizando o esforço e dedicação que sua Mãe teve para cria-los dando lhes condições de agora serem bem sucedidos na vida e na sociedade.
O primeiro decidiu comprar-lhe uma grande mansão, substituindo aquela casinha humilde que eles moravam desde criança, então buscou nas imobiliárias a melhor casa da cidade, a comprou e contratou um mordomo e empregados para cuidar da casa, porque afinal de contas sua mãe merecia muito mais.
O segundo decidiu comprar-lhe uma limusine, com um motorista, para que pudesse levar sua mãe onde quer que ela quisesse ir.
O terceiro, foi um pouco mais além, não queria dar-lhe simplesmente um bem material, conhecendo bem a sua mãe, sabendo que ela era muito religiosa, rezava sempre, gostava muito de ler a palavra de Deus e com a idade avançada isto se tornara muito difícil para ela.
Ele havia ouvido falar que existia uma ave raríssima, “Um Papagaio Marrom”, que fora treinado por uns Monges Beneditinos que moravam num convento no alto de uma montanha e que esse famoso Papagaio Marrom sabia recitar a bíblia todinha de cor e salteado, era só dizer o capitulo que ele recitava versículo por versículo.    Moveu mundos e fundos e se encheu de explicações e justificativas e foi buscar a tal ave maravilhosa.
Lá chegando, se ofereceu para comprar o bichinho falador e estava disposto a pagar uma quantia generosa por ele, depois explicou seus grandes motivos, dizendo que sua mãe já estava velhinha, amava muito a Deus, foi fiel sua vida toda, já estava quase morrendo e blá… blá… blá…, Os Monges não queriam vender o Papagaio, diziam eles ser uma ave raríssima, que o amavam muito, levara anos treinando-o para que decorasse toda a bíblia e que lhes faria muita falta agora que já se haviam apegado a ele, que era como uma pessoa que fazia parte da família, e blá… blá… blá…, realmente deu muito trabalho convencer aqueles monges, mas ele conseguiu. Trouxe então o bichinho falador, experimentando seus dotes e já o treinando para dar uma linda mensagem para sua mãe.
No dia do aniversário, toda os parentes e amigos estiveram presentes, uma grande festa, com banquete, missa, orquestra, homenagens e etc… cada um ofereceu seu lindo presente, se encheram de orgulho com a alegria de sua Mãe, mais o dia foi cheio, muitas tarefas, muitos parentes e amigos para conversar e depois deixaram sua mãe descansar.
No semana seguinte retornaram para saber o que sua mãe havia achado dos maravilhosos presentes, e lhe perguntaram.
E aí mãezinha, o que achou do meu presente?
Milton, Meu Filho Você gastou muito dinheiro, comprando esta casa enorme, muitos quartos, muitos empregados, isto dá muito trabalho… Para uma velhinha que mal anda do quarto para a sala. Achei muito bom, mas vou preferir morar em minha casinha mesmo.
Marvim, Meu filho, para que aquele carrão, com aquele motorista paralisado, parece mais uma estátua de pedra. Já não tenho mais aonde ir, meus parentes e amigos já morreram quase todos e toda vez que preciso vocês me atendem, com carinho, dispensei o motorista e não vou usar aquele carro que só dará despesas.
Melvim, meu filho seu presente realmente foi maravilhoso, você me conhece bem e soube escolher exatamente o que eu mais gosto, já havia muito tempo que não ganhava um presente tão bom como este, nunca comi um caldinho de frango tão gostoso como o daquele franguinho marrom.
MORAL DA HISTÓRIA: A quem queriam agradar, à sua Mãe ou a si mesmos? Agradar alguém e fazê-la totalmente feliz pode ser bem mais simples do que pode parecer!

+ Pe Leo SCJ
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domingo, 28 de outubro de 2012

De ônibus e de igrejas


Ônibus em si nem sempre salvam. Agilizam a viagem, aproximam ou separam pessoas. Igrejas em si não salvam, mas agilizam, aproximam e separam. Não é o veículo que salva é o ato de entrar nele e de ir com quem sabe conduzi-lo. Condução com motorista eufórico tem mais chance de se espatifar quilômetros adiante. Igrejas também!

É verdade que igrejas, impulsionadas pelo púlpito e pelas práticas que envolvem o fiel, levam para mais perto ou para mais longe de Deus. No ônibus depende muito do condutor e do destino escolhido pelo viajante e nas Igrejas também. Há igrejas para tudo e, se o viajante quiser determinadas garantias, alguém as dará. O púlpito que deveriam encher de esperança, ultimamente enche de certezas absolutas, garantias e promessas vindas diretamente do céu. Já não importa muito o que Deus disse no passado. Importa o que ele diz hoje ao pregador mais convincente da hora. Não é incomum ouvir pregadores e dizer: “eu lhes garanto” “ eu determino” , tudo , é claro, em nome de Jesus. Como não há selo de qualidade ou de garantia para a pregações, o fiel vai com quem fala mais bonito ou com mais convicção. A verdade, porém não depende de nenhum marketing da fé. Será verdade mesmo que o pregador não consiga reunir mais do que cinquenta fiéis.

Há ônibus bons e ruins e há igrejas boas e ruins. Com enorme facilidade o fiel de uma igreja achará que a outra ou o da outra é ruim. São poucos os que conseguem admirar e elogiar outros iluminados e outras igrejas. Agem como o passageiro que acha seu ônibus melhor porque é maior e leva mais gente, ou porque é o mais novo da praça; critérios errados, porque ônibus velhos e mal cuidados enguiçam e ônibus novos também batem e ferem. Outra vez depende do condutor e da manutenção.

Um olhar arguto sobre o que se passa nas pregações entusiasmadas e emocionadas ou serenas de agora levaria o estudioso da fé a conclusões nada lisonjeiras sobre a maioria dos que hoje sobem ao púlpito ou empunham microfones no rádio ou na televisão. E cabe qualquer pregador, a começar comigo, seja ele pouco ouvido ou famosíssimo, perguntar-se de quem ele é porta-voz. Quando fala traduz o pensamento de sua Igreja ou projeta apenas o seu? O pregador que deu data e local para os próximos milagres portou sua voz, mas não a de Deus nem a de sua igreja. Nenhuma igreja que se preze dá dia, local e hora para Deus operar algum prodígio. Faltou ler Jonas, aquele da baleia!…


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quarta-feira, 17 de outubro de 2012

VIDA E SAÚDE – VIVENDO O AMOR EM ATITUDES


Todos desejamos profundamente fazer algo de bom e algo de bem para os outros, sobretudo após realizar um retiro, um encontro de espiritualidade, uma confissão, uma Celebração... estamos dispostos até a dar a vida pelos outros. Então comece com pequenos gestos de amor que você pode fazer em sua casa, para, depois, reproduzir e estender a outros:
“Comunhão: disponha-se a conhecer melhor o outro.
Ajuda: ofereça-se para fazer algo pelo próximo.
Apoio: coloque-se ao lado de alguém que precisa de você.
Oração: ore por seus queridos.
Alívio: sem tornar-se inconveniente, desenvolva alguma tarefa no lugar de alguém. 
Ousadia: compartilhe seus sonhos com alguém e deixe que sonhe alto com você. 
Proteção: não invada a privacidade de seus queridos; antes, proteja-os disso.
Tolerar: lembre-se de que os outros também erram.
Transparência: diga a verdade, sempre.
Autenticidade: não se deixe levar pelas aparências.
Espontaneidade: aja com sinceridade; não faça diferente do que pensa.
Amizade: cultive amigos(as).
Elogio: demonstre gratidão e carinho aos que estão em sua volta.
Retribuição: só faça ao próximo o que gostaria que fizesse a você.
Falar bem: pense e fale sempre o bem.
Presente: sempre que possível, presenteie alguém que você ama.
Lembrança: lembre-se, ligue, mantenha contato.
Incentivo: acompanhe, não deixe que seu próximo se sinta só.
Demonstração: não deixe que o outro apenas suponha ser importante; diga-lhe isso.
Crédito: acredite nas ideias e pensamentos de alguém.
Abraço: abrace com amor.
Mãos dadas: esteja por perto sempre que puder.
Escutar: escute com o coração aberto.
Honra: respeite e encontre motivos para admirar aqueles que estão perto de você. 
Dar: dê algo sem esperar nada em troca.”
                                                           Ir. Marisa Inêz Mosena


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quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Bioética e Pastoral da Saúde - outra reflexão



A Pastoral da Saúde sempre visa contribuir na promoção da saúde em todas as suas dimensões para que as pessoas possam ter na sua realidade, vida em abundância (Jo 10,10), sinal do reino de Deus entre nós.
A vida em abundância que Jesus veio trazer, hoje passa pela mediação de toda a humanidade a começar pela própria pessoa que precisa constantemente fazer escolhas que promovam em si mesma o cuidado da vida, a proteção. Todos nós, somos frutos de nossas escolhas, portanto precisamos estar sempre escolhendo e decidindo por aquilo que nos faz ter mais saúde e, assim, mais vida.
A visita ao doente é um dos aspectos importantes para o restabelecimento da pessoa. Ela pode ser um meio para estimular a recuperação da saúde, seu bem estar, avivar sua esperança, pela fé de quem a visita.
Para visitar uma pessoa doente precisamos ir conhecendo sempre mais o que dizer o que não dizer, o que é o melhor para a pessoa, a fim de não irmos visitar um doente para desabafar todas as nossas mágoas, nossos problemas e, nem tampouco, para ir contar nossas histórias de doenças pelas quais passamos.
A escuta é o princípio e o fundamento de toda visita. A escuta é a necessidade maior da qual a humanidade precisa para poder se reintegrar e superar muitos sofrimentos pelos quais está passando. Em nossa experiencia pessoal, podemos constatar o quanto a escuta nos tem feito bem, nos tem ajudado.
Escutar é bem mais profundo do que simplesmente ouvir. Escutar é a ação de acolher a pessoa com todos os sinais do seu corpo, do seu semblante. A pessoa pode estar falando palavras, mas sabemos o quanto seus sinais e expressões estão comunicando algo muito mais profundo de seu sofrimento, de suas expectativas, de suas necessidades.
Ouvir com o coração é um grande desafio, pois nossa tendência é a de preparar as respostas imediatas ao que a pessoa doente está falando, ou até cortamos o assunto para demonstrar nosso conhecimento, nossas sugestões e às vezes até passamos a receitar terapias e medicamentos que  “nos ajudaram e que nos fizeram tão bem”, achamos que isto vai ajudar também a promover a saúde na outra pessoa. Mal pensamos que a sua história de doença é outra, a realidade da pessoa doente é outra, o que contribui para que ela adoecesse é outra realidade.
Vamos refletir um pouco em, como estamos realizando nossa visita aos doentes, para  melhor qualificar as mesmas e sermos pessoas de escuta, de fé e de esperança. Haverá visitas nas quais vamos ser apenas uma presença junto da pessoa doente e não precisamos dizer nada. A nossa presença fala do Deus da vida que carregamos dentro do nosso coração. O doente precisa crer que nós cremos na vida, que nós cremos em Deus. Na próxima reflexão falaremos sobre o tempo da visita e algumas expressões que ajudam e outras que não ajudam na visita às pessoas doentes. Que Jesus, o médico por excelência nos faça servidores da vida.
                                                                                        Ir. Marisa Inêz Mosena 
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sexta-feira, 27 de julho de 2012

Combustível para sua derrota

Padre Léo com todo o seu humor nos ajuda a refletir sobre o "combustível" que nos derrota.


Fonte: Retirado do DVD "Apredendo com as histórias do Padre Léo"
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sexta-feira, 20 de julho de 2012

Dia do Amigo


Ser amigo é sentir o coração do outro bater mesmo que o outro esteja distante. Ser amigo é ter um par, um parceiro, um confidente, um ombro onde se possa chorar.
Ser amigo é esquecer distâncias, é saber que mesmo a milhares de quilômetros há alguém pensando em você. Ser amigo é incutir no outro a esperança, é relevar o erro, é apontar o caminho certo, é aliviar a dor.
Ser amigo é um ofício difícil, pois ninguém é perfeito. Mas a amizade pressupõe amor. Para ser amigo, é preciso amar. E o amor é algo tão difuso, indefinido, abstrato, que torna difícil definir o que é a verdadeira amizade.
O fato essencial é que a amizade demanda amor. O fato essencial é que a amizade demanda carinho e dedicação. O fato essencial é que a amizade demanda lembrança, mesmo que os contatos pessoais ou telefônicos não sejam frequentes.
A amizade é um mistério. Profundo e doce mistério. Ser amigo é talhar a madeira, buscando uma escultura, sem querer machucar a planta, mas apenas transformá-la em algo mais belo. É oferecer carinho e não raiva. É saber absorver a dor do outro. Ser amigo é ser fraterno.
Ser amigo é ter a consciência do desprendimento, da dedicação total. Ser amigo é saber que o outro é mais importante do que você, e que, por isso, você deve usar todas as suas forças para que ele permaneça vivo, saudável e feliz.
Ser amigo é tentar fazer com que o outro absorva as coisas boas que você tem para transmitir. É tentar evitar que ele se desvie para o caminho do mal, ou que opte por alternativas ruins, que lhe impliquem complicações e horrores diversos.
Ser amigo é poder abraçar e beijar, sem a menor vergonha. É poder dar a mão. É poder dar um abraço, no meio da rua.
Ser amigo é uma bênção. Ser amigo é ser solidário. Ser amigo, é, simplesmente, ser amigo, e esse “simplesmente” é tão bom, que eu acho que não preciso escrever mais nada. Desta forma, saiba que sou seu verdadeiro amigo, me aceite assim.

Abraço
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sábado, 2 de junho de 2012

Série Namoro Santo: Um namoro diferente leva à santidade

Neste mês de junho  faremos uma breve reflexão sobre namoro santo. Num mundo cada vez mais carente de exemplos que propaguem a castidade e a possibilidade de verdadeiramente viver em santidade, buscamos resgatar os valores tão divulgados pela Igreja e tão solicitados pelo próprio Deus. É possível viver um namoro em castidade, em santidade? Certamente não é fácil!  Mas certamente é possível!
Você tem rezado com o seu esposo, esposa? Com o seu namorado, namorada? 
O exemplo a seguir, nos revela o segredo de um relacionamento direcionado a santidade: A oração.
Vejamos...


O casal brasileiro: Servos de Deus Zélia e Jerônimo

Por Maria Emília Marega

Roma, quarta-feira 02 de maio de 2012 (ZENIT.org) - A experiência da vida matrimonial dos Servos de Deus Zélia e Jerônimo, casal brasileiro do século 19, mostra que é possível ser santo na vida cotidiana correspondendo à vocação ao qual foi chamado.

Jerônimo de Castro Abreu Magalhães nasceu em Magé e Zélia Pedreira Abreu Magalhãesem Niterói. Casaram-se em 27 de julho de 1876, na Chácara da Cachoeira, bairro da Tijuca, na cidade do Rio de Janeiro.

Ele engenheiro civil e ela uma jovem letrada, com primorosa formação artística, literária e científica, de modo que aos 14 anos traduziu do italiano para o português, a obra de Cesare Cantu "Il Giovinetto".

O desejo de Jerônimo e Zélia sempre foi o de agradar a Deus desde o período em que se conheceram, quando na troca de olhar já ficou claro que o namoro deles seria um namoro diferente, declarou Dom Roberto Lopes, vigário episcopal para a Vida Consagrada e responsável pelos processos de candidatos à causa dos santos da Arquidiocese do Rio; conforme nota da Portalum.

"Zélia e Jerônimo eram muito apaixonados. A vida de oração foi crescendo dentro do coração do casal. Eles educaram seus filhos para Deus, e a Eucaristia era algo que procuravam dar de presente para o povo de Deus que o cercava", destacou.

Desse casamento nasceram 13 filhos, quatro falecidos em tenra idade, os demais (três homens e seis mulheres) abraçaram diferentes ordens religiosas, dentre eles o frei franciscano José Pedreira de Castro, professor de ciências bíblicas que fundou em 1956 um Centro Bíblico e o curso de Sagrada Escritura por correspondência.

Na fazenda onde eles moravam havia uma capela, onde inúmeras vezes ao dia o casal era visto rezando, assim como também seus escravos, que iniciavam o trabalho do dia sempre com oração conduzida por Jerônimo e Zélia no pátio da fazenda.

A pesquisa histórica sobre Jerônimo de Castro Abreu Magalhães e sua esposa Zélia está sendo feita por uma comissão arquidiocesana, instalada no dia 23 de dezembro pelo arcebispo Dom Orani João Tempesta.

Da década de 30 até a década de 60, a vida de Zélia foi bastante conhecida. Sua biografia chegou à sexta edição e foi traduzida em iugoslavo, alemão, francês, espanhol, em italiano, e em português de Portugal.

Atualmente, existem no Brasil em torno de cinquenta causas de beatificação, das quais 25 figura como postulador o Dr. Paolo Vilotta, responsável também pela causa dos Servos de Deus Zélia e Jerônimo.

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sábado, 14 de abril de 2012

Por que celebramos a Divina Misericórdia?

Quero convidar você, caro leitor, a refletir sobre a Festa da Misericórdia Divina, celebrada oficialmente na Igreja, a partir do ano 2000, no Domingo após a Páscoa. Certamente não se pode esgotar aqui o tema, visto que o próprio Jesus já nos ensinou que “A Minha misericórdia é tão grande que, por toda a eternidade, nenhuma mente, nem humana, nem angélica a aprofundará” (Diário de Santa Faustina, 699). Quero apenas oferecer alguns elementos para sua reflexão e oração, no empenho de permitir que você possa cada vez mais experimentar em sua vida as graças abundantes do coração misericordioso de Jesus. Minha proposta é meditar justamente o parágrafo 699 do Diário, de onde retiramos a citação anterior. Eis o que Jesus disse a Santa Faustina, naquela ocasião:
“Minha filha, fala a todo o mundo da Minha inconcebível misericórdia. Desejo que a Festa da Misericórdia seja refúgio e abrigo para todas as almas, especialmente para os pecadores. Neste dia, estão abertas as entranhas da Minha misericórdia. Derramo todo um mar de graças sobre as almas que se aproximam da fonte da Minha misericórdia. A alma que se confessar e comungar alcançará o perdão das culpas e das penas. Nesse dia, estão abertas todas as comportas divinas, pelas quais fluem as graças. Que nenhuma alma tenha medo de se aproximar de Mim, ainda que seus pecados sejam como o escarlate. A Minha misericórdia é tão grande que, por toda a eternidade, nenhuma mente, nem humana, nem angélica a aprofundará. Tudo o que existe saiu das entranhas da Minha misericórdia. Toda alma contemplará em relação a Mim, por toda a eternidade, todo o Meu amor e a Minha misericórdia. A Festa da Misericórdia saiu das Minhas entranhas. Desejo que seja celebrada solenemente no primeiro domingo depois da Páscoa. A humanidade não terá paz enquanto não se voltar à fonte da Minha misericórdia”.   
Sem dúvida, como você pode notar, trata-se de um trecho relativamente pequeno, mas de conteúdo muito denso. É próprio de Jesus falar desse modo. No Evangelho temos inúmeros exemplos de passagens em que Jesus, em poucas palavras, preenche nossa mente e nosso coração com a sabedoria do alto. Um bom exemplo disso são as parábolas. Procuremos, então, compreender passo a passo o sentido profundo dessa palavra de Jesus.
 “Desejo que a Festa da Misericórdia seja refúgio e abrigo para todas as almas, especialmente para os pecadores” - Um olhar atento e cuidadoso para o Diário de Santa Faustina revela a insistência de Jesus, e até mesmo sua pressa, em que seja aprovada, difundida e celebrada na Igreja a Festa da Misericórdia. O tema aparece 25 vezes ao longo de todo o texto. Cada um de nós poderá dedicar algum tempo especial para refletir sobre essas passagens realmente maravilhosas que revelam a predileção de Jesus por essa Festa. Seguem os números dos parágrafos que se referem à Festa da Misericórdia, para que você possa aprofundar seu significado: 49, 74, 88, 206, 280, 299, 300, 341, 420, 458, 463, 505, 570, 699, 715, 742, 796, 1041, 1042, 1059, 1073, 1082, 1109, 1517, 1530.
 “Neste dia, estão abertas as entranhas da Minha misericórdia. Derramo todo um mar de graças sobre as almas que se aproximam da fonte da Minha misericórdia” - Ao longo do ano litúrgico, a Igreja celebra os principais fatos e acontecimentos da vida de Jesus: encarnação, nascimento, vida pública, morte e ressurreição, ascensão, descida do Espírito Santo sobre a Igreja etc. A liturgia é, pois, a memória do mistério de Cristo. Não é apenas uma “recordação” de algo do passado, mas uma atualização no presente daquilo que Deus realizou num determinado momento da história da salvação e que continua a realizar em nossa vida. Isso é o que significa a expressão “memória” na liturgia: nós revivemos, a cada dia, o mistério da vida de Jesus, com toda a força e o poder de Deus em nossa história atual. Nesse contexto, também se insere a celebração da Festa da Misericórdia. Trata-se de uma atualização, no presente, do momento em que a fonte da Misericórdia Divina se abre e os raios do amor misericordioso de Deus se derramam sobre toda a humanidade. Nós revivemos, no momento presente, na história pessoal de cada um de nós, aquilo que Jesus fez na cruz, ao deixar que a lança abrisse seu coração, para dele derramar sobre todos nós a graça infinita da sua misericórdia.
“Que nenhuma alma tenha medo de se aproximar de Mim, ainda que seus pecados sejam como o escarlate” - A Igreja proclama a misericórdia como o maior atributo, a maior qualidade de Deus.  A encíclica sobre a Misericórdia Divina, do Papa João Paulo II, começa justamente com essas palavras “Deus é rico em misericórdia”, retiradas da carta de São Paulo aos Efésios, capítulo 2, verso 4. Para Deus, de fato, não importam mais os pecados quando a alma se arrepende e volta para Ele. A parábola do filho pródigo bem revela esse amor do Pai que esquece o erro do filho: antes mesmo que o filho pudesse se explicar e pedir desculpas (leia o texto e veja que o filho tinha até ensaiado as palavras que diria ao pai), o pai o abraça, o beija e manda preparar uma festa (Lc 15,20ss).
 “A Minha misericórdia é tão grande que, por toda a eternidade, nenhuma mente, nem humana, nem angélica a aprofundará”- A Misericórdia Divina não pode ser compreendida racionalmente, é um mistério. E o que significa a palavra mistério: aquilo sobre o qual devemos nos calar. O mistério não é para ser compreendido, mas para ser vivido. Entre todos os mistérios de Deus, está o de sua infinita misericórdia por cada um de seus filhos e filhas. A imagem humana que alguns fazem de Deus é carregada do aspecto da justiça: Deus parece um ser vingativo e justiceiro. Esse é o “deus”, com d minúsculo, feito à nossa imagem e semelhança. O Deus de Jesus Cristo é o Deus do amor e da compaixão, do perdão e da misericórdia. Não se pode compreender esse mistério, mas podemos fazer a experiência desse amor. Por isso, como eu costumo dizer, dificilmente alguém poderá falar da misericórdia de Deus sem antes ter feito a experiência, em sua vida, de ter sido resgatado por ela.
“Tudo o que existe saiu das entranhas da Minha misericórdia” - Que revelação maravilhosa! Quem dera pudéssemos aprofundar cada dia mais seu sentido, então nossa vida seria totalmente transformada. No início do Evangelho de São João, encontramos essas palavras: “No princípio era o Verbo e o Verbo estava com Deus e o Verbo era Deus. No princípio, ele estava com Deus. Tudo foi feito por meio dele e sem ele nada foi feito de tudo o que existe” (Jo 1,1-3).  Veja que mistério mais lindo e profundo: tudo o que existe nasceu da misericórdia de Deus. Olhe para sua vida, para tudo o que existe ao seu redor, para tudo o que você tem: tudo isso brotou do coração amoroso de Deus. Sim, pois se Deus não precisa de nada, por ser plenitude em si mesmo, a obra da criação não é questão de necessidade, mas de amor. Deus não precisava ter criado nada, mas criou porque ama. E é o mesmo São João que dirá, em outra passagem: “Deus é amor” (1Jo 4,8). E o que é o amor senão a mesma misericórdia divina? Precisamos entender bem a palavra misericórdia. Ela é formada por duas palavras latinas: “miser”- que significa pobreza, indigência, miséria; e por “cordis”- que quer dizer coração. Então, o que significa misericórdia? Significa abrir o coração para a miséria do outro. É o que Deus faz quando se inclina sobre nós. O que há em nós senão miséria? E o que há em Deus senão amor? É na experiência da misericórdia de Deus, portanto, que se dá a profunda realidade do encontro entre a nossa humanidade, que é miséria, e a grandeza de Deus, que é amor. A miséria é propriedade humana, em Deus não há miséria, seria uma contradição. O amor, por sua vez, é propriedade de Deus: em nós, por nossas próprias forças, não há amor, mas egoísmo, fruto do pecado. Quando existem em nós manifestações de amor, isso já é fruto da graça de Deus, como completa São João: “Pois o amor é de Deus e todo aquele que ama nasceu de Deus” (1Jo 4,7).
“Toda alma contemplará em relação a Mim, por toda a eternidade, todo o Meu amor e a Minha misericórdia” - Contemplar significa ver com os olhos do coração. Quando estivermos do outro lado da montanha da vida, na eternidade, o que vamos contemplar em Jesus? Sua grandiosidade e onipotência, seu poder e sua glória? Assim pensamos nós. Mas, o que afirma Jesus é que vamos contemplá-lo por aquilo que lhe é mais peculiar: a sua misericórdia. Veja que é isso que Jesus mais prioriza e é assim que Ele quer que o vejamos. As pessoas gostam de serem vistas por aquilo que são, ou que parecem ser, o que é pior. Jesus não quer que o vejamos desse modo, com os olhos humanos, que não sabem direito o que é mais importante para ser visto. Ele quer que o vejamos justamente por aquilo que é a maior de suas qualidades, o maior de seus atributos: a misericórdia! Que outro “deus”, concebido pelos homens, se distingue pela misericórdia? E mesmo o verdadeiro Deus poderia distinguir-se pela sua grandeza e poder, pela sua majestade, mas preferiu distinguir-se pelo amor e pela compaixão. Esse é o grande mistério que une o céu à terra.
“A Festa da Misericórdia saiu das Minhas entranhas” - Para a pessoa humana, as entranhas têm um significado especial: trata-se daquilo que vem do mais profundo do ser. É das entranhas da mãe que nasce o filho. Tudo o que é mais forte em nossa vida, nós sentimos nas entranhas. Você já percebeu que uma emoção forte como o medo ou a felicidade mexem com o nosso estômago e a nossa barriga? É porque as emoções são forças que vêm lá de dentro, de nossas profundezas, de nossas raízes. Isso nos ajuda a compreender a afirmação de Jesus que diz “A Festa da Misericórdia saiu das Minhas entranhas”, isto é, do mais profundo de seu ser, das suas raízes, do seu íntimo. Não é algo superficial, como um simples anseio, mas um desejo profundo, algo que tem que ver com o próprio ser. Veja, querido(a) leitor(a), o quanto Jesus valoriza essa Festa. Como deve ser grande todo o rio de graças que Ele tem para nós, quando celebramos esse dia!
 “Desejo que seja celebrada solenemente no primeiro domingo depois da Páscoa” - A escolha do primeiro Domingo depois da Páscoa para a Festa da Misericórdia tem um profundo sentido teológico e espiritual. Revela-se assim a união profunda que existe entre o “mistério pascal da Redenção” e o “mistério da Misericórdia de Deus”. Esta união está ainda sublinhada pela Novena, com o Terço da Misericórdia Divina, começando na Sexta-Feira Santa. Ao escolher esta data para a Festa, Jesus quer mostrar que sua paixão, morte e ressurreição culminam na celebração da sua infinita misericórdia. Trata-se de uma mesma realidade, de um mesmo amor, de uma mesma entrega da sua vida em resgate da humanidade. É por isso que no prefácio da Oração Eucarística número VII, a Igreja reza: “Vós, Deus de ternura e de bondade, nunca Vos cansais de nos perdoar”. E repete-se o refrão: “Como é grande, ó Pai, a Vossa Misericórdia!”.
 “A humanidade não terá paz enquanto não se voltar à fonte da Minha misericórdia” - Por fim, Jesus faz essa declaração que nos deixa ainda mais surpresos. O desejo de paz, tão forte no coração de todas as pessoas, sobretudo nesse período da história humana em que tantos conflitos armados e tanta violência assolam o nosso planeta, só será plenamente satisfeito quando nós nos voltarmos à fonte da Misericórdia Divina. Não há outro caminho para a paz. Os homens tentam construir a paz sem Deus, nós também tentamos às vezes construir nossa vida sem Deus, mas assim nunca chegaremos à verdadeira paz.  No Evangelho de São João, lemos: “Deixo-vos a paz, a minha paz vos dou; não vo-la dou como o mundo dá” (Jo 14,27). E ainda, depois da ressurreição, Jesus aparece aos discípulos, escondidos no cenáculo, e lhes diz duas vezes: “Paz a vós” (Jo 20, 19-20). A Misericórdia Divina é o verdadeiro caminho para a paz.

Caro leitor(a), como eu disse no início, este artigo não encerra o assunto, mas é apenas um convite para você aprofundar dia-a-dia a mensagem apresentada. Que Jesus Misericordioso nos ajude a compreender o sentido profundo da Festa da Misericórdia e a viver cada dia mais à sombra do seu amor!

Pe. Ednilson de Jesus, MIC
Pároco e Reitor do Santuário da Divina Misericórdia

Artigo publicado na Revista Divina Misericória, nº 2 - abril de 2008.
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quarta-feira, 7 de março de 2012

História quase real de um domingo pela manhã *

 - Menina acorda, já são 6 h! – Gritou a mãe na porta do quarto.
Com esse potente despertador, a menina acordou, tomou banho se aprontou. Era um dia esperado. Na Arquidiocese de Feira de Santana aconteceria a I Caminhada do Perdão, dentro das comemorações do Jubileu de Ouro dessa Igreja e de sua reflexão quaresmal.
 - Tome café! Faça um desjejum! Coma uma fruta! – Aconselhava a mãe imperativamente.
 - Não mainha, é minha penitencia, será uma manha a base apenas de oração e água.
 - Tá bom, então, vá com Deus. Cuidado com o transito e não fique na rua após acabar! – Abençoava e aconselhava a mãe.
Assim a menina saíu, rumo a Igreja Santo Antônio dos Frades Capuchinhos onde se encontraram com aproximadamente 20 mil pessoas de diversas paróquias de toda aquela Arquidiocese. Dali começava a Caminhada.
Na oportunidade, a menina reencontrou antigos e novos amigos, e juntos como irmãos, manifestaram a fé por meio de cantos religiosos, orações e meditaram junto com as reflexões sobre diversos temas relacionados à fé cristã, à Igreja e à sociedade e, principalmente à Campanha da Fraternidade deste ano promovida pela CNBB, que reflete sobre a saúde pública em nosso país.
Também, em alguns momentos de parada durante a caminhada, meditaram sobre o perdão nas dimensões pessoal, espiritual, interpessoal, eclesial e social.
A admiração e a fé eram tamanhas por parte dos ali presentes, que a menina orante não viu o tempo passar. Pode se confessar, pois todos os sacerdotes estavam devidamente paramentados, e dentre tudo, conseguiu entrar em comunhão com Deus e o próximo. E carregou a cruz, de forma literal e espiritual. Rezou pelos ausentes, doentes, parentes, amigos e inimigos.
 - Ufa, esta quase chegando, só mais essa ladeirinha e pronto! – Admirava-se a menina ao se deparar com a ladeira rumo a Paróquia do Senhor do Bonfim, afinal já era quase meio-dia e o calor aproximava-se dos 35ºC (sensação térmica).
No final da ladeira, uma melhor visão não poderia: A Celebração da Eucaristia participada por todos aqueles caminhantes rodeados de frondosas árvores. Ali meditou, orou, ofertou-se e comungou. E recebeu um gesto gratuito e generoso, com o aspecto de um abraço e sabor do aconchego Divino. 
Era hora de ir embora e ela nem queria mais. Estava tudo tão divinamente bom, que ela já conta dos dias para a próxima Caminhada do perdão. Também ela resolveu: Ali não acabava a Caminhada... Iria continuar os propósitos daquele trajeto de domingo nos outros dias do ano, nos outros tempos litúrgicos, em toda a sua vida.

Por Sandra Avelino
           &
Flávio Porto
Twitter - @portoflavio


Texto inspirado na I Caminhada do Perdão, que aconteceu dia 04 de março de 2012 na Arquidiocese de Feira de Santana.
Imagens Fé Católica
* Qualquer semelhança com a realidade não será mera coincidência.

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domingo, 25 de dezembro de 2011

Reflexão sobre o Natal - baseada na homilia do dia 24 de dezembro de 2011

O profeta Isaias já havia anunciado: A  multidão que viva na escuridão viu uma grande luz!
Irmãos e irmãs,  na liturgia de Natal, a Igreja apresenta-nos o mistério que marcou  e continua a marcar a história: Não é o nascimento pelo nascimento, mas é Deus que quis nascer  de Maria - Eis o mistério da encarnação!
[...]
Maranata!
É neste sentido que vivemos não meramente o nascimento, mas a encarnação de Deus que se faz homem e habitou entre nós. "Hoje nasceu para nós o Salvador!" nos lembrou o salmista. Este evento ultrapassa os limites do tempo e do espaço e torna-se atual, Ele nasceu hoje! Ele quer nascer em sua vida, sua família, sua cidade.
Se você se abre e O aceita, se invoca a presença de Deus hoje mesmo Ele se encarnará em tua vida. É preciso que seja hoje, amanhã pode ser tarde demais.
[...]
O Natal portanto comemora o nascimento de Jesus em carne da Virgem Maria. É a própria certeza de celebrar aquilo que o anjo anunciou a Maria, ela emprestou sua carne para ser o Tabernáculo do Altíssimo.
[...] O verbo se fez  carne no seio da Virgem, uma mulher a quem amamos, Maria!
[...]
Glória a Deus nas alturas e paz na terra aos homens de boa vontarde!
Deus assume a carne para vencer a morte que habitava nela (São Basílio).
Irmãos e irmãs, vivamos este Natal. O que passou, passou. Olhe para Jesus, Ele está lá - na gruta e no sepulcro - é o nosso sinal de salvação.
Que o Menino renasça em nossos corações.
Assim seja!

Texto baseado na homilia de Padre Cícero na Santa Missa da noite do dia 24.12


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terça-feira, 8 de novembro de 2011

Olha a foto!!!

Uma das invenções que mais sou encantado, mesmo que se enumerem centenas que são mais espetaculares e complexas, é a máquina fotográfica.

Como uma caixinha tão pequenininha e invocada joga para dentro de si uma paisagem, dar um stop na ação e aquele dado momento fica guardado para sempre? Tá, eu sei que a pergunta é inocente e que qualquer site de buscas pode me dar uma resposta ao meu alcance de entendimento. Mesmo assim, o meu fascínio continuará.

Eu gosto muito de fotografias! Muito mesmo!

As minhas têm a capacidade (entre aspas) de dar um F5 em momentos que foram fortes e que geraram sentimentos inesquecíveis. A imagem atualiza o sentimento no coração. Olho para as expressões e quase posso ouvir as vozes daqueles momentos agora estáticos no papel.

Ao mesmo tempo, quero questionar esse maravilhoso poder da máquina fotográfica e das possibilidades que uma foto oferece, muito mais por causa de uma pecinha que fica manuseando a máquina: Nós, os utilizadores.

O primeiro motivo é que estamos substituindo a “gostosura” das experiências pela “belezura” das imagens.

Lembro-me aqui de um momento engraçado: estávamos todos lá; Sexta-feira da Paixão; Campo de futebol lotado; Depois de um dia de oração e penitência na Igreja, os jovens encenavam a Paixão de Cristo para o bairro; Tornava-se um forte momento de evangelização e vivência da Semana Santa. Ele já estava na cruz; Tinha dialogado com os ladrões; Bebido vinagre... A trilha sonora dava um tom dramático à cena. O público não piscava; E entre um gemido e outro, Jesus volta-se para o lado e com a boca quase fechada sussurra para a equipe de apoio da apresentação: - A fotooooo!!!!

“Hã... Não seria a parte da entrega do Espírito?!?” deve ser a sua pergunta e foi a nossa também. Ela ficou presente por um bom tempo em nossas resenhas de grupo.

Contei isso para dizer algo. Podemos comprometer um momento tão especial pela necessidade de um registro do mesmo. No caso do nosso Jesus não aconteceu, pela esperteza e discrição do nosso colega e outros fatores que passasse despercebido (menos para nós, é claro).

Mas em outros momentos, na sua maioria, não acontece assim. E aqui cheguei onde queria: as nossas ações litúrgicas e celebrativas. Quer ver?!?

É só pensarmos nos pais e padrinhos pousando para as fotos nos momentos das orações e explicações do rito do batismo (tão profundas), sem nenhuma atenção devida; Nos adolescentes em sua primeira comunhão, na hora de receber a Eucaristia, parados com a boca aberta, mas com os olhos lá no fotógrafo, buscando o melhor ângulo; Nos noivos desajeitados que têm que colocar a aliança, falar certinho as palavras, administrar o nervoso e, acima de tudo, serem simpáticos para as lentes; Em nós quando voltamos de algum lugar e não sabemos expressar as experiências porque só temos para mostrar só as fotos...

E, principalmente, na absurda deselegância dos fotógrafos que se tornam um show à parte nas celebrações. Oficiais ou não (porque com um celular todo mundo virou fotógrafo), conseguem cumprir o “custe o que custar”pela imagem, atrapalhando a visão, invadindo espaços, quebrando ritmos litúrgicos, roubando a atenção das pessoas.

Há alguns dias, acompanhei a luta de um padre (para ser dramático) com um batalhão de gente, antes de iniciar a sua homilia. Ele queria que as pessoas se sentassem e prestassem atenção ao que iria ser dito e “no final da missa poderiam tirar uma foto” (promessa dele). Minha gente, era luta mesmo. Sem exageros, acho que ele usou mais de 10 minutos para convencer as pessoas. E um dos seus argumentos eu “fotografei” em minha mente: “A foto mais importante que vocês devem levar daqui é a de Cristo e essa só pode ser tirada pelo coração”, disse o sensato e quase aborrecido padre.

Essa maravilhosa invenção está comprometendo as nossas celebrações litúrgicas. Elas estão lá no computador, todas digitalizadas, porém, tão menos vivenciadas.

Antes que alguém desista de ler todo o comentário, quero lembrar que sou apaixonado por fotos e vejo nelas uma validade tão grande. A pergunta é: o que pode ser feito para as “gafes litúrgicas fotográficas” não roubem a cena da foto principal?!? Aqui vem a minha primeira comunhão e minha crisma... Olho para as poucas fotos que tenho (não tínhamos máquina digital e o pouco dinheiro não permitia um book), e tenho a gostosa lembrança das celebrações... do friozinho na barriga quando chegou perto da comunhão, ou de quando o bispo foi ungir minha testa, dos seus olhos grandes me olhando e exortando à vida cristã, da Igreja cheia de flores... Fotos que estão dentro de mim e que não se apagarão.  Mesmo que as esqueço, as suas marcas serão pra sempre. É claro que, se eu pudesse ter uma foto melhorzinha seria bom, porque as minhas são tão “feinhas” (brincadeirinha).

Demais dizer que é um desafio a ser pensado?!? Acho que não!

Para os catequistas pode ser também de conscientização nos momentos que antecedem as celebrações. Podemos ajudar pais e padrinhos, catequisandos, a viverem uma saborosa experiência com os sacramentos. Ah, e os fotógrafos também a prestarem um serviço discreto e eficaz.

Sei que muita coisa pode ser feita, mexendo primeiramente no processador... não das máquinas, mas, sim, das pessoas. Trabalhar a consciência!!! Difícil tarefa? Talvez! Mas, pela gostosura da vida bem celebrada, vale a pena!

Flávio Porto
Blog - http://fsporto.blogspot.com
Twitter - @portoflavio
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sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Para ser em Cristo


Eu acredito na pessoa humana. Acredito por que o ser humano é um ser de possibilidades. Ele não está de todo definido, mas em construção, é processo.  Deus não nos criou em série. Fez cada um de nós de um modo singular, não somente do ponto de vista biológico, mas também no nível das nossas experiências. Na vida de uma pessoa, elas podem ser diferentes não somente no que tange á sua diversidade, mas ao modo como cada um as vivencia. Nesse sentido, seria  possível somente a recriação, ou clonagem de um ser humano, a nível genético, pois a singularidade das experiências vividas por cada pessoa é a que configura na sua especificidade. Nós somos as experiências que fazemos no tempo e no espaço.


Deus nos chamou a vida e dotou-nos com ricas potencialidades: para conhecer, para amar e para escolher. No exercício destas forças nós nos construímos. Por conseguinte, o que conhecemos ou decidimos conhecer; o que amamos, a quem amamos e a medida do nosso amor; as nossas escolhas e decisões. Tudo isto vai formando a nossa silhueta humana, pessoal. O homem é a sua razão, seu coração, sua consciência.
Nós nos construímos através do conhecimento. Ele tem um rico poder transformante. Cada um de nós prova a forte incidência que há no nosso ser a experiência de conhecer. O atual avanço tecnológico é uma das provas mais contundentes, não somente do avanço do poder cognoscitivo do homem, mas também o quanto as conquistas, nas mais diversas áreas do saber, mudaram compreensões, mentalidades, relações e deram origem a uma nova cultura. Deus seja louvado pela capacidade de pensar, significar, inventar, criar que Ele nos deu através da capacidade de conhecer!


O amor, como força vital e geradora de sentido para a vida da pessoa, é também altamente transformante do viver humano. Os seus efeitos psicossomáticos são bem perceptíveis diante de um coração amante. O amor impregna a pessoa humana de vigor e vivacidade, fazendo com que o viver humano seja saboroso, significativo e com talante. Uma vida sem amor é vida vazia, fria, sem sentido. Ele é também uma grande força criativa, pois conduzindo a pessoa ao dom de si mesma ao outro, faz com que tal doação tenha uma diversidade grandiosa de expressões. Deus seja louvado pela nossa capacidade de amar. Por ela a vida torna-se bela, suave e significativa!


A construção de nós mesmos se dá através das nossas escolhas, opções que cotidianamente somos chamados a fazer no exercício da nossa liberdade. Por meio dela, recebemos o qualificativo de seres morais, éticos.  Por isso ela tem um grande peso no que se refere a construção de nós mesmos. Nós somos as nossas opções, decisões. Por meio delas podemos mudar o curso de nossa vida, bem como reorientá-lo. Ela também tem uma forte influência sobre os outros uma vez que as nossas escolhas estão contextualizadas. Pela nossa liberdade, podemos buscar um novo caminho, fazer uma nova estrada, dar um rumo novo à vida. Deus seja louvado pela nossa condição de homens e mulheres livres!
Contudo, o exercício destas potencialidades pode conhecer um caminho ambíguo. Podemos utilizar o conhecimento para dominar; nosso amor pode transformar-se em ódio e usar a liberdade, fazendo escolhas que não nos farão felizes e nem  mesmos os outros.


Por isso, reavivando a nossa condição de discípulos do Filho de Deus, busquemos ser n’Ele, procurando conhecer, amar e viver a liberdade em Jesus Cristo. Ele não nos tolhe esta condição, mas ensina-nos como bem orientar estas potencialidade e a plenificá-las. Na verdade ser cristão é conhecer, amar e ser livre em Cristo.
Padre Pedro Júnior.
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